Chaves

 

Património Histórico Cultural

 

Largo de Camões

 

 

 

 

 Em tempos medievais chamavam-lhe o Toural, ou porque naquele espaço se fazia feira desse gado ou porque se aproveitava para ali se correrem touros, como era costume naquelas épocas. Representava já nesse tempo o largo maior da terra, estendendo-se ao longo das muralhas da Torre do Castelo e cercado, a poente e norte, pelo casario. No castelo vivia o Senhor da Terra e a gente que o servia, enquanto nos anexos se agrupavam os seus homens de armas e os apetrechos de fazer guerra. Dos seus afazeres, além dos cuidados administrativos da Terra que governavam, muitos houve que deixaram fama em artes várias, e deles ficou celebrada memória da fundação de um hospital e uma colecção de cousas de saber e uma douta biblioteca.

 

Por ali haveria também uma Capela modesta dedicada a Santa Catarina, que homens nobres teriam fundado em tempos antigos, com um albergue para viandantes e desprotegidos da sorte, mas que os azares das guerras levaram a transferir para outro lugar, longe da vizinhança do Castelo.

 

A nascente, em plano inferior, separada possivelmente por outro pano de muralhas, estava a Igreja Matriz, dedicada a Santa Maria Maior, de proporções bem modestas mas servida por uma torre e um portal que mal sabemos explicar. Com os anos, porém, os homens da terra interessaram-se em fazer-lhe grandes obras e ricos empenhos até o templo ficar como hoje o conhecemos.

 

Ao fundo da praça estendia-se outro pequeno largo que veio a albergar o Pelourinho dos foros da terra, e daí o nome de Largo do Pelourinho. Más razões políticas, em tempo de desvario, viram nesse monumento um símbolo de prepotência e por isso o arrearam e esteve deslocado e ultrajado em outros lugares. Ao canto dessa pequena praça, virado à Rua Direita, ficava em prédio modesto a Câmara da vila e outras repartições do Estado.

 

Com o correr dos anos, numas casas modestas ao lado da rua que vinha dar ao poço do Castelo – a Rua do Poço, construiu a Misericórdia da época, junto às instalações do seu Hospício, refinando em apurado estilo, um precioso templo, a que hoje chamamos a Capela da Misericórdia.

 

Nas Guerras da Restauração, as necessidades de tão crítico momento sobrepuseram-se a todas as outras, e as obras profundas que houve que efectuar vieram transtornar completamente o aspecto do lugar. Alargaram-se as defesas à volta do Castelo, construiu-se um baluarte protegido por grossas muralhas, derrotando quanto havia à sua volta, enquanto face ao largo se levantou o maior edifício da vila, todo ele para fins militares e a Guarda Principal da Praça. Daí o lugar, ter ficado para muitos, com o nome de Largo da Principal.

 

Já em tempos modernos, aproveitou-se a construção apalaçada de um Morgado de Vilar de Perdizes, construída no topo do largo, para instalar a Câmara Municipal, enquanto mais exigências militares obrigaram à construção de outros edifícios e barracões à volta da Torre do Castelo, para albergar os regimentos que fizeram a glória da terra.

 

Ao lado da nova Câmara, estava já desde o século anterior, a Capela de N.ª S.ª do Loreto, mais popularmente conhecida por Santa Cabeça, de precioso acabamento e a quem recorriam muitos, procurando remédio para mordeduras de cães raivosos.

 

Em 1880, procurando corresponder aos grandes festejos nacionais dos 500 anos do nosso grande vate Luís de Camões, atribuiu-se o seu nome ao lugar.

 

De igual modo, ao largo anexo que era o do Pelourinho, conforme as voltas dos ventos políticos, veio o nome de Largo de D. Carlos, e em 1910, triunfalmente, o Largo da República.

 

 

 

 

 

 

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