Chaves

 

Património Histórico Cultural

 

Madalena

 

 

 

Madalena - Loja do PovoQuando se fala de Chaves, nunca se deixa de falar no Bairro da Madalena, que do outro lado do Rio Tâmega, sempre se irmanou a ela.

 

Chamaram-lhe a Madalena, de Santa Maria Madalena, porque a um canto do rio se elevou uma igreja modesta com o seu nome e devoção, mandada construir em velhos tempos por uma Rainha Dona Mafalda. Deixou fama de ter sido também albergue da Ordem de Santa Maria de Rocamador e hospício para os viandantes do sagrado Caminho de Santiago. Hoje restam apenas umas paredes e uns nichos como memória, que ninguém acha por bem celebrar.

 

Mas a principal notoriedade do bairro vem-lhe da intimidade com a Ponte Romana do Imperador Trajano que atravessa o rio, dando continuidade à via romana, à volta da qual o bairro se terá formado.

 

A este lugar, desde sempre vieram comerciar e fazer feira os que habitam o grande planalto a nascente da Veiga de Chaves, a caminho da Terra Quente, desde as terras de Monforte e de Montenegro até aos limites da Serra da Padrela.

 

Sendo uma terra chã, de margens baixas e sem defesa, os seus habitantes sempre sofreram o destino de suportar as cheias em que o rio é pródigo, em tempos de invernia.

 

Inundação da Rua da Madalena

 

Também, tão perto da raia, à parte das obrigações que lhe competiam na defesa da estratégica ponte romana, que deixava caminho aberto para o coração da vila, teve de construir-se um revelim fortificado, com muralhas, fossos, ponte levadiça, e sítio para quartéis, em que sobressaía uma grande casa com arcos e brasão para a Casa da Guarda, mas que não resistiu à fúria implacável da modernidade.

Bairro da Madalena foi sempre mais lugar para fazer atendimento da vasta clientela que lhe chegava da margem esquerda do rio, chegando a ombrear com o que oferecia a vila. Mas, este bairro foi sempre modesto, pouco mais que a rua principal que lhe dava certa importância, passando pelo largo principal do lugar que chegou a merecer a implantação do Pelourinho da vila, e que hoje tem um bizarro mas carismático chafariz.

 

Rua da Madalena - Casa dos ArcosAntigo Fosso e Balneário da Madalena

 

Há ainda outra rua que sai do largo para a veiga, e passa por um campo largo e pantanoso com uma capelinha solitária, que já foi de Nossa Senhora das Neves, mas depois recomendada ao S. Roque. Mais modesto ainda, Igreja da Madalena (1902)mas riquíssimo de tradição, fica o Terreiro, onde antigamente havia grandes armazéns para as bestas da Cavalaria e se exerciam os misteres próprios daqueles tempos.

 

Perto da margem do rio, levantou-se em tempos do Rei D. Pedro II, ligado à muralha do revelim uma construção sólida de rés do chão e primeiro andar para que os frades da Ordem de São João de Deus, exercessem devotadamente os serviços e cuidados da saúde. Aí se fundou no século XVIII, reinando Dona Maria I, uma das cinco escolas de Medicina e Cirurgia que havia em Portugal, com sucesso na prática cirúrgica dos acidentes militares do tempo.

 

Por devoção, a Rainha, mulher de D. João V, mandou que se construísse ao lado desse hospício uma grácil capela, igualmente dedicada a São João de Deus, monumento barroco majestoso, que infelizmente nunca chegou a ser terminada por falta de verbas, serviu de armazém, quartel e oficina de madeiras, mas hoje está aberta ao culto e é a sede de nova Paróquia.

 

 

Uma Bela Entrada do Jardim Público (1903)Trecho do Jardim Público

 

De grande saliência para o bairro, aproveitando os antigos fossos da fortaleza e umas hortas, estendendo-se até o rio, o benemérito Cândido Sotto Maior mandou construir no fim do século XIX um belíssimo jardim, para gozo e consolo de todos os seus concidadãos, palco durante muitos anos de passeios e amores nas noites estivais, abrilhantadas pelas Bandas Musicais da Terra.

 

Cruzamento da MadalenaAntigo Posto da Polícia de Viação e Trânsito

 

 

 

 

 

 

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